PROFECIAS DE JESUS: O DESCENDENTE DA MULHER.
O SEGREDO DIVINO REVELADO PROGRESSIVAMENTE DE GÊNESIS 3:15 ATÉ APOCALIPSE
Quando Adão e Eva pecaram, talvez parecesse que o propósito de Jeová de ter um paraíso na Terra, povoado por humanos perfeitos, havia sido frustrado. Mas Deus imediatamente atacou o problema. Ele disse: “Porei inimizade entre ti [a serpente] e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” Gênesis 3:15.
Que palavras intrigantes e misteriosas! Quem era a mulher? a serpente? e o “descendente” que machucaria a cabeça da serpente? Mas as palavras de Deus dariam esperança aos descendentes deles que se mostrassem fiéis. A justiça haveria de triunfar. O propósito de Jeová seria realizado. Mas como? Ah! Isso era um mistério. A Bíblia o chama de “a sabedoria de Deus em segredo sagrado, a sabedoria escondida”. 1 Coríntios 2:7.
Como “Revelador de segredos”, Jeová com o tempo divulgaria detalhes pertinentes sobre o desfecho desse segredo. (Daniel 2:28) Mas faria isso gradativamente, aos poucos. Daniel 12:4.
Como Jeová fez essas revelações? Ele usou uma série de pactos, ou contratos, que revelavam muitos detalhes.
O pacto com Abraão
Mais de 2 mil anos depois de o homem ter sido expulso do Paraíso, Jeová disse a seu servo fiel Abraão: “Seguramente multiplicarei o teu descendente como as estrelas dos céus . . . e todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente, pelo fato de que escutaste a minha voz.” (Gênesis 22:17, 18) Isso não era apenas uma promessa; Jeová formulou-a como um pacto legal e confirmou-a com um juramento imutável. (Gênesis 17:1, 2; Hebreus 6:13-15) Que fato notável! O Soberano Senhor fez um contrato para abençoar a humanidade.
O pacto abraâmico revelou que o Descendente prometido viria como humano, pois descenderia de Abraão. Mas quem seria? Com o tempo Jeová revelou que, dos filhos de Abraão, Isaque seria antepassado do Descendente. Entre os dois filhos de Isaque, Jacó foi escolhido. (Gênesis 21:12; 28:13, 14) Mais tarde, Jacó disse as seguintes palavras proféticas a respeito de um de seus 12 filhos: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló [“Aquele a Quem Pertence”]; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” (Gênesis 49:10) A partir daí, soube-se que o Descendente seria um rei e que Judá seria seu ancestral.
O pacto com Israel
Em 1513 AEC, Jeová concluiu um pacto com os descendentes de Abraão, a nação de Israel. Isso preparou o caminho para novas revelações a respeito do segredo sagrado. Embora não esteja mais em vigor hoje, o pacto da Lei mosaica era parte essencial do propósito de Jeová de produzir o Descendente prometido. Como? De três modos.
Primeiro, a Lei era como um muro de proteção. (Efésios 2:14) Seus estatutos justos serviam como barreira entre judeus e gentios. Assim, ajudou a preservar a linhagem do Descendente prometido. Em grande parte por causa dessa proteção, a nação ainda existia quando chegou o tempo devido de Deus para que o Messias nascesse na tribo de Judá.
Segundo, a Lei, que era perfeita, demonstrou que a humanidade precisava mesmo do resgate, pois o homem imperfeito era incapaz de cumprir todos os seus requisitos. Assim, ela serviu para “tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa”. (Gálatas 3:19)
Por meio de sacrifícios de animais, a Lei oferecia expiação provisória dos pecados. Mas visto que, como Paulo escreveu, “não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados”, essas ofertas só prefiguravam o sacrifício de resgate de Cristo. (Hebreus 10:1-4)
De modo que, para os judeus fiéis, aquele pacto se tornou um “tutor, conduzindo a Cristo”. Gálatas 3:24.
Terceiro, o pacto da Lei deu à nação de Israel uma perspectiva maravilhosa: tornar-se “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Mas Jeová lhes disse que isso só aconteceria se eles fossem fiéis àquele contrato. (Êxodo 19:5, 6) E, de fato, com o tempo, o Israel carnal acabou fornecendo os primeiros membros de um reino celestial de sacerdotes. Mas, como um todo, aquela nação se rebelou contra o pacto da Lei, rejeitou o Descendente messiânico e perdeu essa oportunidade.
Quem, então, completaria o reino de sacerdotes? E que relação teria aquela nação abençoada com o Descendente prometido? Esses aspectos do segredo sagrado seriam revelados no tempo devido de Deus.
O pacto davídico do Reino
No século 11 AEC, Jeová esclareceu mais detalhes sobre o segredo sagrado quando fez outro pacto. Ele prometeu ao fiel Rei Davi: “Hei de suscitar o teu descendente depois de ti, . . . e deveras estabelecerei firmemente o seu reino. . . . Eu hei de estabelecer firmemente o trono do seu reino por tempo indefinido.” (2 Samuel 7:12, 13; Salmo 89:3)
Com isso, a linhagem do Descendente prometido ficava restrita à família de Davi. Mas será que um simples governante humano poderia reinar “por tempo indefinido”? (Salmo 89:20, 29, 34-36) E poderia esse rei humano resgatar a humanidade do pecado e da morte?
Sob inspiração, Davi escreveu: “A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’ Jeová jurou (e não o deplorará): ‘Tu és sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque!’” (Salmo 110:1, 4)
As palavras de Davi se aplicavam diretamente ao Descendente prometido, ou Messias. (Atos 2:35, 36) Esse Rei governaria, não em Jerusalém, mas desde os céus, à “direita” de Jeová. Isso lhe daria autoridade não só sobre o território de Israel, mas sobre toda a Terra. (Salmo 2:6-8)
Mais um detalhe foi revelado naquela declaração. Note que Jeová fez o juramento solene de que o Messias seria “sacerdote . . . à maneira de Melquisedeque” — um rei-sacerdote que viveu nos dias de Abraão. Como Melquisedeque, o vindouro Descendente seria designado diretamente por Deus para ser Rei e Sacerdote! Gênesis 14:17-20.
Ao longo dos anos, Jeová usou seus profetas para fazer revelações adicionais sobre o segredo sagrado. Por exemplo, Isaías revelou que o Descendente teria uma morte sacrificial. (Isaías 53:3-12) Miqueias profetizou o lugar em que o Messias nasceria. (Miqueias 5:2) E Daniel predisse até o tempo exato do aparecimento do Descendente e de sua morte. Daniel 9:24-27.
Revelado o segredo sagrado!
Como essas profecias se cumpririam continuou a ser um mistério até que o Descendente finalmente apareceu. Gálatas 4:4 diz: “Quando chegou o pleno limite do tempo, Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher.”
No ano 2 AEC, um anjo disse a uma virgem judia chamada Maria: “Eis que conceberás na tua madre e darás à luz um filho, e deves dar-lhe o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.... Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.” Lucas 1:31, 32, 35.
Depois, Jeová transferiu a vida de seu Filho do céu para o útero de Maria, de modo que ele nasceu duma mulher imperfeita. Mas Jesus não herdou a imperfeição dela porque era “Filho de Deus”.
No entanto, os pais humanos de Jesus eram descendentes de Davi, de modo que ele herdou deles tanto o direito natural como legal de ser herdeiro daquele rei. (Atos 13:22, 23) Quando Jesus se batizou, em 29 EC, Jeová o ungiu com espírito santo e disse: “Este é meu Filho, o amado.” (Mateus 3:16, 17) Finalmente, ali estava o Descendente! (Gálatas 3:16) Chegara o tempo para se revelar mais detalhes sobre o segredo sagrado. 2 Timóteo 1:10.
Durante seu ministério, Jesus identificou a serpente de Gênesis 3:15 como Satanás e o descendente da serpente como os seguidores do Diabo. (Mateus 23:33; João 8:44) Posteriormente, revelou-se como esses seriam esmagados para sempre. Apocalipse 20:1-3, 10, 15)
E a mulher foi identificada como a “Jerusalém de cima”, a organização-esposa de Jeová nos céus, composta de criaturas espirituais. Gálatas 4:26; Apocalipse 12:1-6.
O novo pacto
Uma das revelações mais emocionantes foi dada na noite antes da morte de Jesus, quando ele falou aos seus discípulos fiéis sobre “o novo pacto”. (Lucas 22:20) Como seu predecessor, o pacto da Lei mosaica, esse novo pacto deveria produzir “um reino de sacerdotes”. (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:9)
Mas, em vez de estabelecer uma nação carnal, fundaria uma nação espiritual, “o Israel de Deus”, composta exclusivamente de fiéis seguidores ungidos de Cristo. (Gálatas 6:16) Com Jesus, esses participantes do novo pacto abençoariam a raça humana.
Mas por que o novo pacto consegue produzir “um reino de sacerdotes” para abençoar a humanidade? Porque, em vez de condenar os discípulos de Cristo como pecadores, ele permite o perdão dos seus pecados mediante o sacrifício Dele. (Jeremias 31:31-34)
Quando eles obtêm uma condição justa perante Jeová, este os adota como parte de sua família celestial, ungindo-os com espírito santo. (Romanos 8:15-17; 2 Coríntios 1:21)
Assim, passam por “um novo nascimento para uma esperança viva .... reservada nos céus”. (1 Pedro 1:3, 4)
Visto que uma condição tão enaltecida é algo totalmente novo para os humanos, os cristãos ungidos e gerados pelo espírito são chamados de “uma nova criação”. (2 Coríntios 5:17) A Bíblia revela que, por fim, 144 mil deles ajudarão a reinar desde o céu sobre a humanidade resgatada. Apocalipse 5:9, 10; 14:1-4.
Com Jesus, os ungidos se tornam o “descendente de Abraão”. (Gálatas 3:29) Os primeiros a serem escolhidos foram judeus carnais. Mas, em 36 EC, outra faceta do segredo sagrado foi revelada: gentios (não judeus) também teriam parte na esperança celestial. (Romanos 9:6-8; 11:25, 26; Efésios 3:5, 6)
Os cristãos ungidos seriam os únicos a desfrutar as bênçãos prometidas a Abraão? Não, porque o sacrifício de Jesus beneficia o mundo inteiro. (1 João 2:2) Com o tempo, Jeová revelou que um número não especificado de pessoas faria parte de uma “grande multidão” que sobreviveria ao fim do sistema de Satanás. (Apocalipse 7:9, 14)
Muitos outros seriam ressuscitados com a perspectiva de viver para sempre no Paraíso! Lucas 23:43; João 5:28, 29; Apocalipse 20:11-15; 21:3, 4.
A sabedoria de Deus e o segredo sagrado
O segredo sagrado é uma demonstração impressionante da “grandemente diversificada sabedoria de Deus”. (Efésios 3:8-10) Como Jeová foi sábio em esboçar esse segredo e, daí, revelá-lo aos poucos! Ele sabiamente levou em conta as limitações dos humanos, permitindo que esses manifestassem sua verdadeira condição de coração. Salmo 103:14.
Jeová também demonstrou incomparável sabedoria ao escolher Jesus como Rei. No Universo inteiro, não existe criatura mais digna de confiança do que o Filho de Deus. Ao viver como homem de carne e sangue, Jesus passou por todo tipo de adversidade. Por isso, ele entende muito bem os problemas humanos. (Hebreus 5:7-9) E que tipo de co-regentes Jesus terá? Ao longo dos séculos, tanto homens como mulheres, de todas as raças, línguas e formações, foram ungidos.
Simplesmente, não existe problema que algum deles não tenha enfrentado e superado. (Efésios 4:22-24)
Será maravilhoso viver sob o domínio desses reis-sacerdotes misericordiosos!
O apóstolo Paulo escreveu: “O segredo sagrado que estava escondido dos passados sistemas de coisas e das gerações passadas .... tem sido manifesto aos seus santos.” (Colossenses 1:26)
De fato, os santos ungidos de Jeová entenderam os muitos detalhes referentes ao segredo sagrado e transmitiram esse conhecimento a milhões de pessoas. Que privilégio todos nós temos! Jeová “nos [fez] saber o segredo sagrado de sua vontade”. (Efésios 1:9)
Contemos esse maravilhoso segredo a outros, ajudando-os a também entender um pouco melhor a imensurável sabedoria de Jeová Deus!
“O segredo sagrado [da] devoção piedosa” também foi revelado em Jesus. (1 Timóteo 3:16) Durante muito tempo foi um segredo, ou mistério, se alguém conseguiria manter perfeita integridade a Jeová. Jesus forneceu a resposta. Ele manteve a integridade durante todas as provações que Satanás lançou contra ele. Mateus 4:1-11; 27:26-50.
Jesus também fez “um pacto .... para um reino” com o mesmo grupo. (Lucas 22:29, 30)
Trata-se de um contrato que ele fez com o “pequeno rebanho” para que reinem com ele no céu como parte secundária do descendente de Abraão. Lucas 12:32.
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